Pirâmide

em

não importa mais
o que não foi
o que não volta
o “se” escondido embaixo do travesseiro

não importa mais
o risco
o rabisco
traçado pelo olho
desenhando contornos só seus. Tão meus.

não importa.

eu vou construir aquela pirâmide que você me pediu
para rabiscar em nossas agendas
no dia da sua partida.

e vou sorrir,
meu amor – me perdoa a infâmia -,
lembrando, na agenda, da página ao lado
com o poema de Florbela Espanca.

—————–

(Página ao lado)

Silêncio!…

-Florbela Espanca-

No fadário que é meu, neste penar,
Noite alta, noite escura, noite morta,
Sou o vento que geme e quer entrar,
Sou o vento que vai bater-te à porta…

Vivo longe de ti, mas que me importa?
Se eu já não vivo em mim! Ando a vaguear
Em roda à tua casa, a procurar
Beber-te a voz, apaixonada, absorta!

Estou junto de ti, e não me vês…
Quantas vezes no livro que tu lês
Meu olhar se pousou e se perdeu!

Trago-te como um filho nos meus braços!
E na tua casa… Escuta!… Uns leves passos…
Silêncio, meu Amor!… Abre! Sou eu!…

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