Carta aberta a um amigo Poático II

(Confissões em resposta)

É engraçado mesmo como algumas metáforas nos acompanham pelo resto da vida… Para mim, vc será sempre o homem que, misteriosamente, descobri em Poa, numa passagem que nem estava programada em minha viagem, e que encontrei algumas vezes, também misteriosamente, no meio daquela multidão que ainda acreditava que “um outro mundo é possível se a gente quiser”…
Será que “Porto-e-vírgula” era somente o nome da revista que você editava? Ou era um sinal de como seria nossa amizade?

Esses dias eu estava na Paulista, pensando em pegar o metrô para voltar para casa. Mas decidi fazer hora num café de uma casa literária importantíssima e que vi nascer (aliás, lutei para que nascesse): a Casa das Rosas, esperando que a hora do rush passasse. Fiquei lá, sozinha, abri meu “A Insustentável Leveza do Ser”, pedi um capuccino e acendi uma cigarrilha, pensando nos amigos que gostaria que estivessem comigo naquela hora. Vc foi o primeiro rosto que veio à minha mente.

Para mim, Fê, que estou sem visitar esta cidade desde então, POA é uma imagem cristalizada de pessoas saudáveis, bonitas, felizes e educadas, tomando chimarrão à beira do rio Guaíba e visitando a Usina do Gasômetro no fim da tarde… Eu sei, é uma visão extremamente romântica de alguém que só ficou uma semana aí, e se encantou, sem nunca mais voltar. Mas gosto da idéia deste “paraíso idílico”, ao qual posso retornar todo fim de tarde – sem chimarrão, mas com café – pelo poder evocativo da memória/imaginação.

Estou aí, de alma e sentimentos, encontrando-me consigo lá na lanchonete do Gasômetro, ou em algum qualquer café, em silêncio ou dando risada das horas que passam fáceis no-mundo-do-sem-tempo. Escrevemos alguns versos juntos, sem nenhuma pressa de que se acabem, nem neura de perfeição: são como são, não importa a métrica, rima ou qualidade. Somos fiéis a eles.
Você me mostra algumas de suas fotografias, e isso me dá inspiração para algumas frases soltas, que talvez eu nunca mais propague a ninguém. E o silêncio que nos abriga, não constrange: antes, abraça esses velhos e sinceros amigos.

Essa Poa existe aqui dentro, e sonho, todas as tardes, em voltar para lá.

Saudade de ti!

(Não é ponto. É Porto-e-Vírgula!)

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