Só, cidade


No aniversário deste meu amor desvairado em forma de cidades – sempre plurais -, verto em versos as vertigens de vértebras insanas. E deito este leito, já antigo, feito especialmente em ocasião do sarau “Cidade e Poesia”, na eterna Casa das Rosas (onde os botões são menos espinhos):

“da Metrópole
creque creque
cheque sem fundo
ao fundo: cracolândia
com torres de dardos
voltados para dentro
duma penumbra sem fim.
chuva cidade cinzenta
massa amorfa
cimento que escorre
para dentro de mim.
depois deito
em cima de artérias
– sem pulmão –
carros na contramão.
acendo a cigarrilha
aceito
acorde ao zumbido:
‘- Zumbi nos salvaria?’
(- Talvez somente palmares)
fecho o quarto
fecho as portas,
os olhos, as dores, a alma.
me perco
– sonhos?-
nas linhas mal desenhadas
de uma Polis sem contornos.
Encontro:
Mário Lopes Chaves
desbravou brasis.
morreu aqui. 22. loucos. bêbados.
transliteralmente.
macunaímicos. sem medo. sem beco.
sem caráter.
queria o gesso de Bandeira,
queria Miramar de Oswald,
mas, aqui: preto no cinza. concretamente.
muita saúva me pica:
os males do Brasil são
que só é verdadeiramente humano quem já sofreu.
deita aqui comigo, berço esplêndido.
vou ficar à espreita e sentir
a cidade possível que há em teu peito.”
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