72 posições tântricas para teu sax com blues

Em outubro do ano passado, comprei um daqueles livros que mudam sua vida, definitivamente: O Jogo da Amarelinha, do Cortázar. Um clássico revolucionário, sobretudo na estrutura.
Foi assim: eu havia marcado uma reunião com alguém (neste momento, eu nem me lembro com quem, nem qual era a proposta da reunião). Essa pessoa se atrasou, mas, para a minha felicidade, tínhamos marcado no café da Livraria Cultura, do Shopping Bourbon, na Pompéia (SP). Em outras palavras: eu não estava sozinha. Estava cercada de (lindos) livros!
Não tive dúvidas. Há meses eu estava com uma ideia fixa na minha cabeça: PRECISAVA ler o clássico do Cortázar, um dos meus escritores favoritos. Quando o vendedor me trouxe o livro, sentei em qualquer lugar (que não era o café) e comecei a lê-lo. Umas 15 páginas mais tarde, lembrei-me da reunião, e migrei para o café. Capuccino por favor. Saquei uma caneta da bolsa (isso mesmo, eu nem sabia o preço de capa) e comecei instantaneamente a rabiscá-lo, anotá-lo, enfim, pois como disse Antônio Cândido na aula inaugural da Letras da USP em 2000 (anfiteatro da História): “Livro amado é livro lido e anotado”. Meu pai também seguia essa filosofia e eu aprendi isso bem cedo. Pois bem. Quando me dei conta do que havia feito, fui direto ao caixa, perguntar o valor de capa do livro. Era algo em torno de R$ 65,00. E, para a minha felicidade, eu tinha bem mais crédito que isso (alguma coisa ligada à pontuação das minhas compras anteriores), resumindo: o livro podia ser meu e eu nem precisava sacar o cartão de crédito! Lindo isso!!
— Não me perguntem da reunião, que eu não lembro nem com quem foi.
Pra resumir, o livro me consumiu de uma forma, que, a cada capítulo lido, eu queria escrever 10. Abri até um blog, cuja senha eu só distribuí a alguns amigos literatos, para mostrar meus exercícios acerca da leitura.
Em novembro, numa página fixa do blog, eu escrevi assim:
O presente blogue, Amor em processo, trata exatamente disso: do processo de escrita do livro “72 posições tântricas para teu sax com blues“, a ser editado pela Ourivesaria da Palavra em e-book e, talvez, em tiragem sob demanda… Quem sabe?
A necessidade do livro nasceu no exato momento em que adquiri “gratuitamente” da Livraria Cultura (devido aos pontos em meu cartão de crédito) o livro “O Jogo da Amarelinha”, de Júlio Cortázar. Apaixonei! E necessariamente recomecei a escrever, interrompendo um silêncio poético que já durava anos e que acreditei, sinceramente, que nunca mais acabaria.
Dividindo a experiência da volta à escrita com alguns e especiais amigos, estes me incentivaram a abrir um blogue, que servisse como um caderno de exercícios poéticos para o livro, anotando, inclusive, as dificuldades encontradas, as questões durante o processo, enfim, uma espécie de caderno literário mesmo, para que algumas ideias não se percam e, outras, possam surgir e melhorar.
O livro trata, sobretudo, de amores em processo, porque acredito que amor nunca é algo finalizado. É caminho, que escolhemos percorrer, ou não. São 3 eixos principais que unem os micro-textos (às vezes, não tão “micro” assim): o corpo, a memória, os “espaços-entre”.
E por que “72 posições tântricas para teu sax com blues”? Serão 72 fragmentos – interligados entre si ou não – que tratam da busca por um amor possível, libertário e, por que não, contraditório também na necessidade – por vezes – de ser único. Deste improviso eterno, surge o sax, como figura de linguagem que nos remete, muitas vezes, à solidão, à noite, ao jazz… ao blues.
Os posts cujos títulos possuem apenas números, tratam de citações do livro de Cortázar. Os demais, são trechos próprios que constarão, ou não, da nova obra.
Degustem. Mas está em processo…
Quase 01 ano já se passou e ainda não terminei esse processo. Mas começo a dividi-lo com vocês agora, abertamente. Todos os posts relacionados ao livro, estarão com a palavra-chave #amarelinha, caso queiram rastrear.
Ainda não sei se serão 72 fragmentos no total. Aliás, eu não sei de nada, porque me permito mudar completamente durante todo o processo. Inclusive, mudar de processo. Anyway, semanalmente, vou postando o que já foi escrito e escrevendo o que será.
Amanhã, o primeiro fragmento do que foi.
😉
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