impreciso corte

“Até que ponto a sociedade brasileira está realmente indignada – e pronta para mudar  o fato de que quase a metade da população dessas cidades não tem sequer como morar dignamente? Até que ponto a opinião pública e a classe média estão preparadas para que os investimentos públicos sejam, por um tempo, quase exclusivamente destinados aos bairros pobres, visando a redução dessas desigualdades? Até que ponto os donos de carro aceitariam mais trânsito por causa de mais obras de ônibus e metrô? Até que ponto a classe média aceitaria ver seus bairros um pouco menos burilados pela manutenção pública para que se faça, por exemplo, saneamento em toda a periferia? Até que ponto os moradores dos bairros ricos aceitariam conjuntos habitacionais como vizinhos em nome do direito legítimo de todos poderem morar perto do trabalho?” – João Sette Whitaker, arquiteto, urbanista e economista, professor de planejamento urbano da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, tanto da Universidade de São Paulo quanto da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Protesto-Sao-Paulo-17-06-Avenida-Paulista-size-598
em até quantos pontos podemos tocar a entrecruzilhada cidade? quantos nós nos separam de nós mesmos? quantas cores sabemos de cor sem sermos tocados por seus sons? quantos sons? quantos somos?
entre a mulher e as mãos e o medo: a manhã ficcional, a lâmina com seus dedos. e um parêntese desproporcional entre os sonhos e o abandono-que-segue-em-duas-pernas.
(eu não teria muitos motivos para acreditar nas janelas) diz, aguda, a fragilidade;
(eu prefiro os portões) disse o medo.
e assim, a humanidade. tocada.
comportada por tudo o que sabe de si. ou pensa.
eu escreveria dois litros de força para romper paredes e ditados feitos. e pintaria novos diálogos. molhados. bem frescos. talvez ácidos, mas com doçura entre as pupilas. eu acredito.
você já pensou em quantos muros precisamos derrubar pra dizer “eu acredito” e ser verdade?
já sentiu quantas sinceridades são necessárias para derrubar discursos prontos?
“eu te amo”, sem poréns, já seria a transgressão desvairada. o cúmulo da rebeldia. e ainda preciso.
 
preciso olhar.
impreciso o corte.
publica-mente
transe-
-unte
a cidade.
desvairadamente despudorada
 
impreciso olhar
preciso corte
(in)(di)(vi)
dualmente
eu-você
diastolicamente
transes
inter
transas
 
secções
e tudo o mais que nos puder (re)unir.
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