no coração da Vila Romana

da varanda da minha casa, eu sinto o cheiro do café da vizinha, escuto a história do moço sem nome que soluça ao telefone pedindo pra namorada voltar.

da varanda da minha casa, eu vejo a brincadeira das crianças entre o céu e o inferno, por dias e noites, e o jogo abandonado nas madrugadas.

na varanda da minha casa, casais de passarinhos vêm bebericar da água que jaz no chão após tantas chuvas do céu. e, nas madrugadas, as damas-da-noite envolvem com seus vultos os amantes de plantão.

na varanda da minha casa, vejo minha gata pular atrás de borboletas, mergulho a vista num mar de telhados, faróis faíscam por todo o redor. e a lua, gigante, nos iguala a todos.

e neste momento, não há uma só figura solitária nesta cidade.
no entanto, jazz.

ruas ainda estreitas, casas de portão baixinho. a vida alheia a um palmo do ouvido.
bons-dias e boas-noites de senhores que varrem calçadas, com portões abertos e janelas-sem-medo.

há ainda uma imensidão de vida, aqui, na varanda da minha casa.

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