“Aquela palavra” – 2/30: Adelaide em ponto+cruz

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2 adelaide em ponto cruz

Adelaide tinha um assombro. Existia num assombro. E transitava entre a concretude tangível e a ilinearidade de um porvir perpétuo. Mas não era algo que a trespassasse todos os dias. Não. Adelaide abria mais seus poros à experiência mística quando se propunha, com agulha, tesoura e linha, a bordar sobre as histórias alheias. Precisava, então, ter a disponibilidade suficiente de oxigenoutrar seus pulmões e bordar, bordar. Até transbordar.

Adelaide segurava um mistério na mão esquerda e riscas concretas na mão direita. E transfigurava todas as linhas em pontos de nó, pontos compostos, pontos de entremeio, ponto de amarra, ponto partido, ponto reto, ponto cheio, ponto pétala e de renascença. Alguns, ainda, pontos sombra.

Quem, afinal, saberia dizer do próprio susto?

Adelaide, um breve dia de verão, transbordou seu ponto+cruz.

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