“Aquela palavra” – 3/30: Enovescências

em

nem terrestre

nem celeste:

transbordava uma linha dourada nuns olhos espantados e sorriso d´água. Cabelos brancos, criança exacerbada. Brincava longe de casa porque era mais divertido, embora soubesse como voltar. Ainda não tinha nome, mas crepitava. Numa sala de banhos-velhos, onde outrora-mui-antigamente romanos buscavam águas medicinais, no momento de hoje-em-dia estalou partituras a princípio quase imperceptíveis, que riscavam o ambiente. E depois, no tilintar do bar, o ar rarefeito alimentava aquele fogo. Falávamos de literatura. Mas era mais que isso. Se as palavras tivessem peso, teriam desabado sobre a sala. Mas flutuávamos.

Todo-faíscas, decidiu que não precisava versar os anos para transbordar a vida. Aos setenta, inventou os diaversários, voltou à universidade. E me enovesceu.

Seria António. Desta vida, de vidas passadas, de vidas futuras e todas as outras. E só caberia na extensão exata de seu espanto imenso.

Anúncios

!Inquiete-se!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s