para gráphos

ela devia bagunçar letras, manchá-las de sangue enquanto cortava as unhas com as sílabas truncadas. recriar o caos de modo a permanecer na constante mutação das coisas. e inverter os verbos.
{você lembra daquele lance dos abismos, dos quais ela sempre se joga? claro que lembra.
era uma força maior. uma força de se reinventar. todos os dias. e ir sempre ao fim de cada estória, com a mesma curiosidade juvenil de quem compra um livro e começa pelo final.}

os contos principais de sua vida, entretanto, ela começava pelos começos, cuidando bem dos parágrafos, anotando bem os travessões. interpelava as vírgulas como perguntaria ao tarô sobre a sorte de suas personagens. pulava indiscutivelmente os pontos-finais; e os últimos capítulos de suas estórias mais atônitas, terminavam, invariavelmente, com uma bela, longa e limpa… página em branco. com o mesmo medo, com a mesma angústia da jovem que não lê a última parte da estória, de aflição por se separar dos seus mais queridos, mais humanos personagens.

abismo. apenas letras formando a palavra angústia.

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