quem dera, o sol pudesse se molhar

[trechos de um livro em processo]

eu disse que escrever era procurar nas dobras da pele as ranhuras do tempo. tentar consertar o passado é ilusão, mas a única coisa que importa. e la ilusion é tremendamente diferente da nossa.

[

quando o silêncio das coisas se mostra impossível, provoco a chuva — dentro e fora do corpo. assim, às chuvas, escrevo.

é uma tentativa primeva, já que a alma fala mais quando está húmida. e gosto da caligrafia completa; com o agá antecedendo espaços, como a chuva fina e sem som que humedece a palavra-alma desta caligrafia binária.

]

 

não há saudade em outras línguas, e acho que deve ser a única palavra que falta.
a palavra que, por si só, já é ausência, numa presença constante. cortante. durantesmente-pele.
a saudade só dói porque encosta na pele, humedece o presente com gotas duras de ontem.

 

quem dera, o sol pudesse se molhar

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